Documento assinado por 18 clubes aponta desvalorização da Série B, enquanto entidade afirma que houve aumento expressivo de receitas
Troféu da Série B: competição vai começar no dia 20 de março — Foto: Junior Souza/CBF
Dezoito clubes que disputarão a Série B do Campeonato Brasileiro em 2026 tornaram pública, nesta sexta-feira, uma nota conjunta manifestando insatisfação com a condução da Liga Futebol Forte União (LFU/FFU). O grupo é responsável pela negociação dos direitos de transmissão e das placas publicitárias da maioria das equipes da competição. A entidade respondeu às críticas, afirmando que houve crescimento significativo nas receitas distribuídas aos clubes.
Todos os clubes da Série B de 2026, com exceção de Náutico e São Bernardo, assinaram o manifesto. As duas equipes optaram por não integrar os acordos comerciais da LFU/FFU e fecharam, nesta semana, contratos diretamente com a CBF para a venda de seus direitos. A Série B tem início marcado para o dia 20 de março.
Críticas apontam desvalorização e quebra de compromissos
No documento, os dirigentes afirmam que a Série B tem sido tratada como produto secundário dentro do bloco, o que teria impacto direto no valor das cotas e na percepção do mercado.
— "O produto que oferecemos ao mercado é robusto, possui torcidas nacionais e alta competitividade, mas a atual postura da liderança trata a segunda divisão como um subproduto acessório, falhando em vender a relevância real da competição para o mercado publicitário e de mídia" — diz um trecho da nota.
Além da crítica institucional, os clubes destacam preocupações com governança, transparência nas negociações, previsibilidade orçamentária, cronograma de repasses e possíveis conflitos de interesse envolvendo investidores, agência parceira e canais de transmissão.
Acordos fora da liga viram alerta
O manifesto cita diretamente os acordos firmados por Náutico e São Bernardo como um sinal de alerta para todo o bloco.
— "Os recentes acordos firmados por clubes como Náutico e São Bernardo servem como um alerta crítico para todo o bloco, evidenciando como os investidores parceiros não estão precificando adequadamente os ativos da Série B."
Segundo os clubes, a decisão dessas equipes reforça a percepção de que o modelo atual não estaria refletindo o real valor comercial da competição.
FFU responde e destaca crescimento financeiro
Em resposta oficial, o Condomínio Forte União rebateu as acusações e afirmou que os dados financeiros demonstram evolução clara nas receitas distribuídas.
— "É incorreto afirmar que houve estagnação ou queda de receitas. Em 2025, o valor devido a cada clube da Série B, conforme regras aprovadas por aclamação em Assembleia Geral, foi de R$ 14,3 milhões, representando um crescimento superior a 50% em comparação com os valores praticados em 2024" — diz a nota da entidade.
A FFU também ressaltou que os pagamentos referentes a 2025 foram integralmente quitados até julho e lembrou que, há dois anos, os clubes receberam investimentos que somaram cerca de R$ 890 milhões, oriundos da venda parcial de direitos comerciais.
Debate sobre governança e diálogo
Apesar de afirmar que todas as decisões seguem regras estatutárias e processos formais de votação, a entidade reconheceu que divergências fazem parte do projeto e afirmou estar aberta ao diálogo.
— "O Condomínio Forte União entende que debates são naturais e saudáveis em um projeto coletivo dessa dimensão e permanece à disposição para seguir dialogando com os clubes nos canais internos adequados."
Clubes mantêm posição
Dirigentes de clubes que assinam o manifesto reafirmaram publicamente o descontentamento. O presidente do Atlético-GO, Adson Batista, comentou o momento vivido pelos participantes da Série B.
— "Isso foi uma posição e insatisfação dos clubes da Série B. No começo da Liga, éramos importantes, mas depois, o produto foi muito mal negociado e nos sentimos um pouco abandonados."
Clubes que assinam o manifesto
América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
A LiveMode, agência parceira da FFU, informou que a resposta institucional foi centralizada pela própria liga.
Fonte – Jogo de Hoje 360°



