Má fase no Paulistão, discursos controversos e divergências com a presidência fazem futuro do treinador ficar ameaçado; Allan Barcellos surge como alternativa interna
Hernán Crespo em Palmeiras x São Paulo — Foto: Marcos Ribolli
A chegada de Rafinha para assumir a função de gerente esportivo do São Paulo, aliada às recentes declarações do presidente Harry Massis Júnior, intensificou o clima de instabilidade em torno do trabalho do técnico Hernán Crespo. O ex-lateral inicia oficialmente sua nova função nesta terça-feira, em um momento delicado para o Tricolor.
Com apenas uma vitória nas cinco primeiras rodadas do Paulistão e sob risco de rebaixamento, Crespo passou a ter seu desempenho mais questionado internamente. A situação se agravou após a derrota no clássico contra o Palmeiras, quando o treinador fez declarações que não foram bem recebidas pela diretoria.
Entrevista de Crespo gera desconforto interno
Na coletiva após o clássico, Crespo defendeu o elenco e afirmou que os jogadores estavam há meses sem receber salários. A diretoria, por sua vez, rebateu a fala, garantindo que os salários estão quitados, com atraso apenas nos direitos de imagem. Segundo Rafinha, existe um acordo em andamento para regularizar a situação ainda nesta semana.
Outro ponto de atrito foi a declaração do treinador sobre os objetivos do clube na temporada. Crespo afirmou que a meta principal seria atingir 45 pontos no Brasileirão para evitar o rebaixamento, discurso que gerou reação imediata da presidência.
No dia seguinte à final da Copinha, Harry Massis Júnior discordou publicamente do técnico:
– Nós não vamos pensar em 45. Nós temos que subir mais, nossa... Nós temos que tentar uma classificação para a Libertadores. Tem o oitavo lugar, tem esse lugar assegurado. Então nós temos que pensar nisso. Ele (Crespo) foi muito modesto – disse Massis.
Rafinha chega para mudar o ambiente
A principal missão de Rafinha neste início de trabalho é reorganizar o vestiário e recuperar a confiança do elenco, justamente em um momento em que Crespo demonstra pessimismo em relação ao desempenho do time ao longo do ano.
– O São Paulo tem que resgatar isso. Mas desse jeito, sem soberba, sem ficar achando que a história vai levar o São Paulo, não leva mais. Infelizmente, o São Paulo ficou parado. Eu estive lá três anos como atleta. Agora, também não é terra arrasada. Discurso de fracassado, de já entrar sofrendo, não cabe mais também. Isso aí também não vai acontecer. Não pode acontecer.
– Vamos olhar para frente. O São Paulo é um clube gigante, foi muito feliz, era modelo. Ficou parado agora esse discurso de perdedor, de fracassado, de medo, não cabe. É um desafio muito grande na minha vida, espero poder ajudar da melhor forma – afirmou Rafinha, durante o programa Seleção sportv.
Desempenho abaixo e cobrança por evolução
Internamente, o São Paulo entende que o time poderia apresentar um futebol mais competitivo, mesmo diante da crise política e das limitações financeiras. Desde que assumiu o comando da equipe, em junho do ano passado, Crespo soma 37 jogos, com 14 vitórias, seis empates e 17 derrotas, atingindo 43% de aproveitamento.
O treinador também revelou frustração com o mercado. Crespo afirmou que esperava a chegada de seis reforços para 2026, mas até o momento apenas Carlos Coronel, Dória e Danielzinho foram anunciados.
Presidente admite dificuldades e aposta na base
Harry Massis Júnior confirmou que o clube seguirá com negociações já iniciadas, mas descartou novas investidas no mercado, reforçando a ideia de aproveitar jovens talentos que se destacaram na Copinha.
– Nós temos as propostas, como eu já falei outro dia, em andamento. Essas nós vamos manter. Para novas propostas, não temos condição. Eles (torcedores) precisam entender a nossa situação e precisam nos apoiar. Esses 45 pontos s muito pouco para o São Paulo. Nós temos que estar mais em cima. Agora, contratação é difícil – disse Massis.
Allan Barcellos ganha espaço nos bastidores
Com bom prestígio no clube pelo trabalho realizado nas categorias de base, Allan Barcellos, técnico do sub-20, passou a ser considerado como uma possível alternativa para o comando do time principal. A avaliação interna é de que o treinador se encaixaria no atual cenário financeiro do clube.
– Se surgir a possibilidade de uma troca, um jogador que esteja disponível com qualidade, isso é importante, com qualidade, aí a gente vai atrás. Se não, não vale a pena trocar seis por meia dúzia. Vamos confiar nesse pessoal aqui que está aqui, que jogou hoje (na final da Copinha) – afirmou o presidente.
Apesar do reconhecimento, a pouca experiência de Barcellos no futebol profissional pesa contra. Aos 33 anos, o treinador nunca comandou uma equipe principal e gera dúvidas sobre sua capacidade de lidar com a pressão do cargo.
Enquanto o futuro de Crespo segue indefinido, o São Paulo tenta virar a chave rapidamente. Além da luta contra o rebaixamento no Paulistão, o Tricolor estreia no Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira, contra o Flamengo, às 21h30, no Morumbis.
Fonte – Jogo de Hoje 360°



