Leila Pereira, Lamacchia e o Vasco: bastidores políticos esquentam semifinal da Copa do Brasil

Escrito em 01/11/2026
Redação Nosso Palestra

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Às vésperas do confronto decisivo, negócio envolvendo a família da presidente do Palmeiras amplia questionamentos no Conselho Deliberativo

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(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Palmeiras e Vasco entram em campo neste domingo (1º), às 16h (de Brasília), no Nubank Parque, pela partida de ida da semifinal da Copa do Brasil. O confronto coloca frente a frente duas instituições envolvidas em uma negociação que ultrapassou os limites do mercado da bola e passou a movimentar a política interna do Verdão: a aquisição da SAF vascaína por uma empresa ligada a Marcos Lamacchia, enteado da presidente palmeirense, Leila Pereira.

A operação trouxe à tona questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses, a participação de José Roberto Lamacchia, marido de Leila e conselheiro do Alviverde, nos negócios relacionados ao clube carioca e os mecanismos de proteção das informações estratégicas do Palmeiras. O caso também provocou uma reação pública da dirigente, que cobrou apoio de seus aliados políticos e criticou integrantes da oposição.

A negociação da SAF e a participação da família Lamacchia

A aquisição da SAF do Vasco pela Almirante Participações, empresa liderada por Marcos Lamacchia, avançou em 2026 e se tornou o principal ponto de tensão entre a família da presidente palmeirense e integrantes da oposição.

O empresário é filho de José Roberto Lamacchia e enteado de Leila Pereira. José Roberto é empresário, marido da dirigente e integrante do Conselho Deliberativo do Palmeiras.

A negociação prevê a aquisição de 90% das ações da SAF vascaína, em uma operação que envolve mais de R$ 2 bilhões em investimentos e obrigações financeiras.

A empresa que deu origem à Almirante foi constituída em março de 2024, inicialmente com o nome de Top Gol, com o objetivo de investir em sociedades anônimas do futebol. Naquele momento, a estrutura societária estava ligada a empresas controladas por José Roberto Lamacchia e Leila Pereira. A presidente palmeirense deixou a estrutura em abril de 2024, enquanto Marcos assumiu o controle da empresa em agosto de 2025.

Oposição cobra saída de José Roberto Lamacchia do Conselho

A aquisição da SAF provocou uma reação formal do grupo Ocupa Palestra, que reúne conselheiros de oposição à atual gestão.

Em 25 de setembro, após a Almirante vencer o leilão para a compra do futebol vascaíno, o grupo divulgou uma manifestação solicitando o desligamento voluntário de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo do Palmeiras.

A oposição argumenta que a participação do empresário na estrutura financeira relacionada à aquisição de um clube concorrente pode representar um risco institucional para o Verdão.

Além da saída de Lamacchia, os conselheiros pediram o reforço dos mecanismos de proteção de dados operacionais e informações estratégicas do Palmeiras. O grupo também defendeu a interrupção de eventuais benefícios diretos ou indiretos que pudessem favorecer equipes adversárias.

Leila reage e cobra apoio de aliados

A discussão ganhou ainda mais repercussão após um discurso de Leila Pereira em um encontro com integrantes de sua base política, realizado em 5 de outubro, durante o lançamento da chapa Palestra para as eleições do Conselho Deliberativo previstas para o início de 2027.

O NOSSO PALESTRA teve acesso ao áudio da manifestação com exclusividade.

Durante o discurso, Leila demonstrou incômodo com as críticas à dedicação dela e do marido ao Palmeiras e cobrou uma postura mais firme de seus apoiadores diante dos questionamentos da oposição.

A presidente afirmou que ela e José Roberto Lamacchia investiram mais de R$ 1 bilhão no clube ao longo de sua trajetória e ressaltou a importância da contribuição empresarial da família.

Em um dos trechos de maior repercussão, classificou como uma “meia dúzia de imbecis” os oposicionistas que questionavam o comprometimento da dirigente e de seu marido com o Palmeiras.

Leila também reafirmou que sua dedicação ao clube permanecerá integral até dezembro de 2027, quando termina seu mandato.

A declaração provocou uma nova reação dos grupos Ocupa Palestra e Arquibancada. Em nota conjunta, as organizações criticaram a postura da presidente e defenderam que questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses sejam tratados por meio de mecanismos de fiscalização, e não como ataques pessoais.

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